Sobre o mundo (O seu e não o meu)

Sobre o mundo (O seu e não o meu)


Esses dias estou pensando muito sobre o mundo. O que diacho é mundo? E sociedade? Busquei no dicionário o que era sociedade: grupo humano que habita em certo período de tempo e espaço, seguindo um padrão comum; coletividade. O mais engraçado, que havia a informação que é a vivência em um lugar comum, nenhum momento eu li conjunto de regras que precisam ser seguidas para você ser pertencente à sociedade.

“O que chamamos “sociedade” é um grande aparelho que faz apenas isso; “sociedade” é outro nome para concordar e compartilhar, mas também o poder que faz com que aquilo que foi concordado e compartilhado seja dignificado” – Bauman.

Lá vai aí o tapa na cara, esse texto é um tapa para mim e talvez para um montão de gente. A maioria das pessoas vivem em seu dia a dia em uma bolha, seja ela, no Facebook, no Instagram ou no seu apartamento com três dormitórios. Eu não posso me negar que vivo nesse mundo, mas eu aprendi que minha vida de privilégios, não é a vida real, é a minha vida.

Eu sou muito curiosa, e sempre vivi, estudando de tudo que é jeito, do Paulo Freire, ao Rubem Alves, ao Mano Brown (Aliás, eu estou viciada no podcast dele, Mano a Mano <3). Inclusive, eu andei fazendo uns cursos, que deram um bug na minha cabeça, e esses falam de mundos que não são meus, mas que eu já passei de leve pela margem olhando com vista para o mar.

Talvez, você esteja confuso de onde quero chegar. Mas vou chegar lá. Quando eu me formei em jornalismo, meu sonho era ter câmera, subir no morro e mostrar a realidade. Mostrar para as pessoas que não falta vontade, mas oportunidade. Para a pessoa que tem fome, falta emprego, pois na hora de ir à entrevista do RH, das pessoas formadas nas universidades, não havia espaço para pessoas que não eram da sociedade. E aí o que era essa tal sociedade?

Eu pensava em mudar o mundo. Mas quando comecei a fazer psicologia, alguém me bateu na cara e disse: fecha os olhos, respira, tudo isso que você tem é seu mundo, pode não ser real. Esse mundo que eu queria transformar era meu, e não dos outros. Às vezes o mundo que criamos, não é mundo, são regras que não fazem sentido, é o homem engravatado ou médico formado, que não pertence a todo mundo. O que as pessoas precisam é comer e viver. Serem respeitadas pelo que são e não pelo que a gente acha legal, fofo.

É bacana ver a TV com princesas, famílias de margarina, os médicos formados respeitados, os hospitais bem limpos, casais se amando, mas a realidade, não diz isso em números. Mulheres são mortas por minutos, famílias não se fazem de dois ou três, a caixa que nos foram dadas são perfeitas para gente, mas magoam alguns que desejam ser livres. A liberdade não está em não se assumir para ter curtidas na rede social, mas saber que talvez o imperfeito nos faz perfeito.

Recentemente entre Mano e Brené Brown, aprendi que a vulnerabilidade não é aquilo que podemos controlar, mas o que podemos respeitar. Nas ruas, na ONG, observando pessoas e ouvindo de pessoas e cursos, eu aprendi a tentar respeitar espaços. Mais de uma vez ouvir que redução de danos não é fazer acabar com o que é feio para a sociedade, mas entender que é libertar a quem dói as angústias do peito. Eu não quero agradar ninguém, não quero que as pessoas se encaixem em nada, eu quero que as pessoas encontrem seus caminhos.

Eu já fui soberba (e às vezes continuo sendo!) achando que o que tenho é certo, o que sei é tudo, mas a verdade é, que cada pessoa, cada ser humano é uma realidade. Tudo que vivemos a nós pertence e não ao outro. Muitas vezes a gente não entende nossos privilégios, e por estarmos em paz, achamos que certas coisas são naturais, não estamos disponíveis a olhar as realidades, o todo e o mundo real, que é único do outro.

Vale ressaltar que privilégio no dicionário quer dizer: direito, vantagem, prerrogativa, válidos apenas para um indivíduo ou um grupo, em detrimento da maioria; apanágio, regalia. É onde começa a dizer que há o mimimi quando a dor não lhe pertence, e o mimimi é não entender que nem tudo gira em nosso círculo. Para terminar, o mundo é mais complexo, please, estude, leia, entenda, afinal, política não é privilégio, ela é desde o que você come até onde você dorme. Entender os números da realidade, às vezes doem, pois dói ver que muitas vezes que o bonito que aprendemos é o feio que vivemos. 


Aline Sampaio

porAline Sampaio

Eu amo escrever e muito mais pensar sobre a vida. Sou mil em uma. Para começar, sou jornalista e escrevo no blog Eu Vi, Comi e Me Diverti. Estudo Psicologia na FMU e ainda sou voluntária no Instituto Construir.

Deixe um comentário

Open chat