AutoESTIMA

AutoESTIMA


Todo dia se fala de autoestima. O batom da moda, a blusa que chama atenção, o corpo curvilíneo, cor que dá tesão…opa! É tudo publicidade.

Muito pouco se fala do que realmente é autoestima. E eu resumo: história e identidade!

Acontece que sempre fomos ensinados que autoestima é o que podemos gastar e não o que podemos viver. Como assim? Sempre, em toda história existiram padrões. Já dizia Paulo Freire, talvez um Oprimido e Opressor, mas a verdade, é que sempre houve alguém ou algo que esteve em destaque. O motivo disso? Quase sempre é a desigualdade.

Em alguns séculos passados, as mulheres precisavam vestir corpetes para ressaltar a cintura, já nos dias de hoje, se coloca preenchimento nos lábios, para parecem mais grossos. A moda muda o tempo todo. Mas o atemporal é apenas um: beleza é algo muito subjetivo.

Mas como falar isso para crianças? As mulheres que estão nas capas das revistas têm padrões. Brancas, loiras, olhos claros…e na vulnerabilidade como elas são? Pretas, cabelos cacheados ou crespos, e olhos escuros. E as princesas? Branca de Neve já era branca como a neve.

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2019, alegou que pretos e pardos, estão entre 56% da população que estão entre os piores indicadores da desigualdade social, que vai desde renda até trabalho.

Essas pessoas da pesquisa também compram shampoo, escova de dentes, assistem televisão e por aí vai! Mas, onde você quer chegar com isso, Aline? Quando se vai a farmácia, se vê mulheres loiras fazendo propaganda de pasta de dentes, e não mulheres pretas reais, que também fazem sua higiene. Atualmente, existe no máximo, quatro âncoras femininas negras em frente aos programas de telejornais da TV e a coisa toda não para aqui.

Como eu posso me inspirar se eu não tenho identidade? Se eu não sou representada? Pelo meu e pela minha história? Será que o mundo é apenas de pessoas com rostos brancos, limpos e mágicos? Será que não tem pessoas de verdade: como eu e você? Como falar para crianças que cor de pele não é só rosinha mas marrom também? Como falar para as meninas que os cachinhos delas são lindos? Ou os cabelos delas crespos são suas forças? Como dizer isso quando as propagandas de beleza só trazem cabelos ultra lisos e sem ondas? Como dizer isso quando existem produtos para tirar as ondas do cabelo? Será que é pensar no todo ou só em privilégios?

Depois de assistir esse vídeo, fiquei pensando no meu trabalho no Instituto Construir, por aqui, tenho um trabalho voltado para crianças, e me pensei como criança, e as várias vezes que me senti feia, pois não era a Cinderela e as diversas vezes que me imaginei uma outra pessoa e me olhei no espelho e vi outra. Agora, eu me dei o direito de ter um cabelo alisado, pois a liberdade é sua escolha, mas minhas madeixas são a La Cosmopolitan e bastante rebeldes (AMO!), mas por muitos anos foi difícil lidar com os cachos e entendê-los. Fiquei pensando nas crianças e nas suas AutoEstima, sim, estima em maiúsculo mesmo, a Estima própria por si.

Fiquei pensando sobre como as crianças podem escolher o que é realmente bonito e feio para elas, e não para o que criaram para elas. Como é possível fazer elas verem que elas são lindas, e que todas elas têm uma beleza única.

Aliás, todo dia me pergunto: como fazer essas crianças encontrarem suas raízes e não as minhas raízes? Pois é fácil dizer o que as pessoas devem fazer, difícil é ensinar as pessoas a elas encontrarem seus caminhos. Hoje, eu me policio, e pergunto sempre para mim, para você e para elas: o que é bonito para você? E só para você?


Aline Sampaio

porAline Sampaio

Eu amo escrever e muito mais pensar sobre a vida. Sou mil em uma. Para começar, sou jornalista e escrevo no blog Eu Vi, Comi e Me Diverti. Estudo Psicologia na FMU e ainda sou voluntária no Instituto Construir.

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